Família Paissan

PAISSAN

A história da família do imigrante
Beniamino Paissan

Pesquisa Genealogica

Nem tudo que é dito aqui são palavras minhas, na verdade é a soma de todos os detalhes importantes observados em todas as fontes que pesquisei, somados à experiência que venho conquistando a cada dia com este trabalho.

Antes de iniciar um projeto de pesquisa sobre sobre suas raízes e confeccionar uma árvore genealógica é fundamental que se tenha em mente que será um trabalho que exigirá tempo e, principalmente, que levará tempo, além de nunca se ter a certeza de que se vai conseguir chegar ao ponto proposto. Mas, em contra-partida, é extremamente gratificante o caminho de descobertas que terá pela frente.

O primeiro passo é definir um objetivo e que ele seja "chegar o mais longe possível" e não "chegar a uma determinada geração". O que diferencia estes dois objetivos é a pressão e as limitações com as quais terá que trabalhar daqui pra frente.

Quando buscamos documentos de uma geração específica, como para dupla-cidadania, por exemplo, nos limitamos a um ou outro galho da nossa árvore, limitamos nosso universo de pesquisa e o trabalho tende a ficar cada vez mais cansativo e sem novidades, até desistirmos. Mas quando pesquisamos sem termos em mente onde queremos chegar, abrimos um leque de possibilidades e as descobertas nos levam sempre a um caminho novo e com novas esperanças.

Com o objetivo definido vamos começar a pesquisar as informações e a documentá-las em um "Registro de Grupo Familiar" que nada mais é do que um formulário com as informações necessárias a serem pesquisadas, começando pelo nosso próprio registro. Este documento pode ser impresso e entregue às pessoas mais próximas, como pais, tios e avós, para que eles preencham com seus próprios dados e te retornem, peça que informem qualquer detalhe, se não souberem uma determinada cidade informem a região, se não souberem uma determinada data informem o ano aproximado, etc. Nesse momento já podemos montar uma árvore de aproximadamente 3 gerações (Nós - Nossos Pais - Nossos Avós).

De todas as informações do formulário, as mais importantes são :

  • Nomes completos (no caso das mulheres, levantar o nome de solteira);
  • Datas e local de Nascimento;
  • Datas e local de Batismo;
  • Datas e local de Casamento;
  • Datas e local de Falecimento;
  • Comece preenchendo seu próprio registro, escreva seu nome completo, data e local de nascimento com todos os detalhes que tiver, os nomes dos seus pais, do cônjuge com data e local do casamento, se assim o for, dos filhos com local e data de nascimento, se os tiver. As fichas podem ser numeradas, desta forma, podemos adotar um critério de informar na frente dos nomes (pais, cônjuge, filhos) a ficha correspondente, quando possível.

    É importantíssimo que as fichas sejam preenchidas, preferencialmente, com dados oficiais dos registros, mesmo que o nome dos pais tenha sido registrado de forma diferente entre irmãos. Anote todas as informações que queira deixar registrada sobre você e faça o mesmo para todos os familiares, por exemplo, a profissão, a escolaridade, cidades em que morou, etc.

    Neste momento está registrada a primeira geração da sua árvore e a partir dela vai iniciar a pesquisa sobre a próxima, dando preferencia à geração dos filhos, se os tiver, pois são informações mais fáceis de se conseguir, provavelmente saberá a maioria mas nunca confie na memória, pesquise sempre nas certidões. As fichas dos seus irmãos também devem ser preenchidas e fazem parte da mesma geração.

    Caso tenha filhos, a segunda geração da sua árvore está registrada, caso contrário, irá começar a parte mais interessante da sua pesquisa, levantar e registrar as informações dos seus antepassados.

    As informações sobre seus pais são, provavelmente, informações ainda fáceis de serem pesquisadas, se ainda forem vivos darão todas as pistas possíveis, a base da sua pesquisa serão as palavras deles, mas apenas as considere como curiosidades e observações para o registro, pesquise as informações oficiais nos cartórios. Faça o mesmo com os irmãos dos seus pais, eles completam essa geração e em muitos casos serão a chave mestra da sua pesquisa.

    Ao chegar a este ponto, terá provavelmente três gerações documentadas, além de um padrão de pesquisa definido, que será o mesmo sempre, mudando apenas os "roteiros" ou alguma fonte. A partir daqui, vamos sempre repetir o processo para os pais, os pais dos pais e assim sucessivamente.

    Neste momento começam a surgir as primeiras dificuldades, informações incompatíveis histórias contadas aos pedaços e, principalmente, nomes ou dados passados errados, o que nos leva a crer que um determinado documento não existe, quando na verdade estamos procurando em lugar errado.

    Por exemplo, pesquisei uma pessoa que sempre disse ter nascido na cidade de São Carlos (SP) e embora todos os seus documentos apontem também para esta cidade, nunca localizei seu registro, nem nos cartórios nem nas igrejas. Com o passar do tempo e com a pesquisa dos seus irmãos (veja o quão importante é pesquisar toda a família) fui percebendo que eles, também nascidos naquela cidade e também de registros não encontrados, tinham ligações com pessoas da cidade de Ibaté (SP), que pertence à região de São Carlos (SP). Note que, naquela época moravam em fazendas e provavelmente estavam localizados em Ibaté (SP) mas sempre usaram como referência a maior cidade da região.

    ONDE PESQUISAR

  • Cartórios - O primeiro lugar que pensamos em procurar um registro de nascimento é nos cartórios, é importante saber se havia um cartório operante na cidade, ou em alguma cidade próxima, na época do nascimento. Quando um registro não é encontrado em um determinado cartório, principalmente se este pertencer a uma cidade de pequeno porte, é fundamental que se pesquise em todas as cidades daquela região.
  • Dica : Há alguns anos os cartórios passaram a reter a certidão de nascimento no momento do casamento, sendo assim, este é um meio de se chegar na certidão de nascimento de uma pessoa casada.

  • Igrejas - Não localizando os documentos nos cartórios, o próximo passo é pesquisar nas igrejas ou cúrias da cidade ou da região, pois naquela época muitas pessoas não se locomoviam para registrar os filhos enquanto o batismo era uma prática comum, assim o registro ficou de poder das igrejas.
  • Arquivos Pessoais - Um universo pouco explorado mas muito rico em informações. Imagine que seu avô teve três filhos e dois netos. Quando ele faleceu é bem provável que os documentos não foram divididos entre os filhos, quem tinha maior interesse no momento ficou de posse dos mesmos enquanto os outros nunca deram importância. Agora você é o neto que está fazendo a genealogia mas, infelizmente, seu pai não foi o filho que ficou com os documentos do seu avô e certamente vai dizer que não sabe se ficou com alguém, chegando até a alegar a possibilidade deles nunca terem existido, o que pode ser um erro fatal para a continuidade da pesquisa.
  • É importante pesquisar todas as pessoas de uma geração, indo além quando necessário. Neste exemplo, os irmãos do seu pai (tios) devem ser consultados, é muito provável que um deles tenha guardado o documento e caso um deles já tenha falecido, consulte seus filhos (primos), pois estes podem ter herdado os documentos do avô junto aos do pai.

    E tenha sempre em mente que conversar com os familiares mais distantes e, principalmente, mais velhos, é muito enriquecedor, muitos detalhes estão guardados com eles e só serão revelados se houver alguém para questioná-los.

    Nota : Independente da religião praticada pela família ou pela pessoa pesquisada, enquanto viva, a pesquisa deve ser feita nas cúrias diocesanas, pertencentes à igreja católica, religião predominante nas gerações passadas.

    Organizando as informações

  • Registre em cada ficha do "Registro de Grupo Familiar" todas as informações pessoais conseguidas, mantenha em constante atualização, qualquer detalhe engraçado pode ser útil. E mantenha sempre organizado, de forma que possa achar facilmente sempre que precisar.
  • Registre em um caderno todos os passos da sua pesquisa em ordem cronológica, cada passo que é dado, cada ligação, cada cartórios e igrejas pesquisados, cada e-mail ou carta enviada, cada contato, cada nova descoberta... E leia este caderno constantemente, procure ter todas as informações sempre organizadas na memória, pois muitas vezes o destino nos coloca frente a frente com um familiar distante e é fundamental termos as informações da forma mais precisa possível. Estas anotações ajudam ainda a evitar um "erro" muito frequente que é pesquisar um mesmo lugar repetidas vezes.
  • Peça sempre aos familiares que procurem por fotos e faça cópias, questione quem são nas fotos (todos), onde foi tirada e em que período, mesmo que aproximado. Faça todas as anotações possíveis no verso de cada foto, isso evita que uma geração futura volte a questinar a mesma coisa, pois não terão as mesmas fontes e será pouco provável que descubram.
  • Compartilhe tudo que puder, disperte em outras pessoas o interesse pela pesquisa, questione, sempre que puder, mais de uma fonte sobre qualquer informação recebida. Tenha sempre ao alcance fotos, cadernos, anotações a quem tiver interesse, mas sempre tenha cópia de tudo.