Família Paissan

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A história da família do imigrante
Beniamino Paissan

Imigração austríaca - O império austro-húngaro

Território invadido por celtas e romanos, o Tirol era antiguamente a provincia romana de Retia, cuja capital era a cidade colonial romana de Velvidena, que a partir do século XI passou a se chamar Innsbruck.

Carlos Magno a anexou ao seu império em 803 e deu a direção desta região aos condes. Os húngaros a invadiram em 906, mas foi reconquistado por Otón I em 955. Conquistada pelos bavários, enquanto Trentino era ocupado pelos lombardos. Em 1154 foi criado o Ducado da Austria. Rodolfo de Habsburgo, imperador da Alemania em 1273 começou a dinastia de seu nome. Durante os séculos XIII e XV Habsburgo se anexa a Tirol, Trieste e outras regiões.

No século XVI, Carlos V cede a Austria a seu irmão Fernando, que anexa Bohemia a Hungría, provocando a guerra com os Turcos. Em 1772, Austria se une a parte da Polonia e em 1775 a Cracovia. Em 1805 Austria sofre uma série de derrotas militares frente às forças de Napoleão. Francisco renuncia a seu título de imperador de Roma para converter-se em Francisco I, imperador de Austria. Cedido em 1805 a Baviera, o Tirol se revoltou contra os franco-bávaros; a alma da resistência foi Andreas Hofer (1767-1810), que foi fusilado em Mantua. De volta a Austria em 1814, a provincia teve que adotar a língua e a cultura italiana devido a sua anexação ao bispado de Trento; asim surgiu o irredentismo italiano.

Em 1815, governada por Metternich, aumentou sua importância e obteve o imperio Salzburgo, Trento, Istria, Dalmacia, Lombardía e Venecia. Em 1908 se anexam as provincias turcas de Bosnia e Herzegovina. Em 1867 ocorreu um fato de grande importância. Austria e Hungría firmaram um tratado conhecido como Ausgleich (compromisso), criando uma monarquía dupla sem precedentes na Europa: o Imperio Austro-húngaro. A oeste do río Leith estava o Imperio Austríaco e a leste, o reino da Hungría.

O assassinato do Arqueduque Francisco Fernando em Sarajevo, em 28 de julio de 1914, herdeiro do imperador Francisco José, desencadeou a Primeira Guerra Mundial 1914/1918. O Império Austro-húngaro se desintegrou junto com o fim da guerra, em 1918. Seu último imperador foi Carlos I (1916-1918), em seu lugar surgiram Austria, Checoslovaquia, Hungría e Yugoslavia.

Vale dizer que uma mesma região compreende 3 zonas, o Tyrol (Tirol austríaco), o Tyrol do Sul (Bolzano) e Trentino, estes 2 últimos formam Trentino-Alto Adigio, (Bolzano y Trento).

A imigração austríaca para o Brasil foi feita em algumas etapas distintas. A primeira aconteceu com a vinda de Maria Leopoldine Josepha Carolina Von Habsburg, filha do Imperador Francisco I da Áustria. A princesa se casou com D. Pedro I, filho de D. João VI, príncipe herdeiro de Portugal e, posteriormente, primeiro imperador do Brasil. Junto com ela, vieram alguns outros integrantes da corte que acabaram ficando no país, principalmente na cidade do Rio de Janeiro.

Uma segunda leva de imigrantes austríacos veio para o Brasil entre 1890 e 1900. Chegaram pelo Porto de Santos e se espalharam pelo interior de São Paulo principalmente Piracicaba, e na capital, nos bairros do Brooklin, Campo Belo, Santo Amaro e Vila Mariana. Esses imigrantes eram, na maioria, da região do Tirol do Sul e Trentino, atualmente Itália. Vieram atraídos pela propaganda de que o Brasil estava precisando de colonos, pois aqui havia muita terra. Chegando, trabalharam como agricultores, sapateiros, marceneiros e na construção de estradas de ferro.

Uma terceira etapa dessa imigração aconteceu antes da Primeira Guerra Mundial, mais precisamente em 1910. A maioria dos austríacos se dirigiu para o norte de Santa Catarina, Vale do Itajaí e Rio das Antas, onde fundaram uma colônia hoje conhecida por Treze Tílias ou Dreizehn Linden, nome de um famoso romance do país. Depois da Primeira Guerra e antes da Segunda Guerra Mundial, foi registrada a chegada de mais austríacos, que queriam fugir dos problemas da fome e da turbulência política. Muitos eram do sul do Tirol, região que foi incorporada pela Itália. Esses imigrantes procuraram se instalar onde já tinham amigos e parentes. Depois de 1950, muitas empresas multinacionais, originárias da Alemanha, se instalaram em São Paulo e deram emprego para muitos desses imigrantes pelo fato de falarem a mesma língua.

A última etapa dessa vinda ocorreu em 1954, quando o governo brasileiro incentivou a vinda de imigrantes austríacos para a chamada Missão Técnica, financiando a chegada de cerca de 500 pessoas, engenheiros e familiares, para incrementar a mão-de-obra do país.

Hoje, segundo o Consulado, o número estimado de austríacos no país é de 15 mil pessoas. Em São Paulo, estão contabilizados sete mil imigrantes e descendentes.

Fontes :
http://milpovos.prefeitura.sp.gov.br/interna.php?com=37&lang=1&id=387, em 30/04/2006. http://www.apellidositalianos.com.ar/imperio_austro.htm, em 15/06/2006.